sábado, 12 de fevereiro de 2011

A morte

Uma ansiedade tremenda se inicia, tremores, pressões, uma horrível dor no coração, falta de ar, sufocamento. As vezes é necessário abrir a janela para sentir o ar e  conseguir respirar. Sempre me senti como se fosse morrer, mas não sinto medo de morrer. Talvez eu não sinta medo de morrer porque a morte não me assusta, sempre senti uma certa familiaridade e até mesmo atração por ela, sempre a encarei como algo natural e de certa forma curiosa.
Eu sinto medo de alguma situação, ou de alguma pessoa. Eu não me sinto bem em lugares com muitas pessoas ou pessoas desconhecidas. Tenho medo de gente. Tenho medo de me apegar a pessoas que um dia irão me deixar. Tenho medo do abandono, talvez por ter sentido isso na sua forma mais pura. Mantive sempre uma barreira de proteção contra todos ao meu redor, não que todos sejam ruins, mas eu tenho medo do que as pessoas são capazes de fazer.
Estabilidade. Esta é a palavra de ordem em minha vida. Gosto da rotina, de cada coisa em seu lugar, de coisas previsíveis, aliás sou previsível. Sou uma criança indefesa e medrosa que se manteve por muito tempo sob máscaras. Está ai o motivo de eu ter medo de gente, tenho medo de me familiarizar e tirar essas máscaras que me protegem. Engraçado, sempre que caem trazem com elas o sofrimento, porque o que vive debaixo delas é desprezível demais.
Mas um dia, irremediavelmente, a morte chega até você. O vazio fica, a tristeza, a dor sem fim, o desespero, a sensação de abandono. Talvez essa seja a face cruel da morte. Você sofre, se embola num canto como se tentasse entrar dentro de si mesmo para arrancar a dor de lá mas nada faz com que ela cesse. A morte não te deixa, até que ela tenha certeza que fez um trabalho caprichado. Cruel, trágica e ao mesmo tempo esperançosa.

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